Quem pensou que o cinema jamais passaria de uma imagem contínua em uma tela de fundo branco se enganou redondamente, pois o 3D chegou. A tecnologia em três dimensões tem invadido vários segmentos como o vídeo-game, a televisão, e como não podia ser diferente, chegou também ao cinema, podendo conceder ao telespectador uma experiência, no mínimo, inovadora. Este texto se baseia nas experiências que tive ao assistir algumas produções lançadas em 3D até o momento, sendo elas: “A Era do Gelo 3”, ”Tá chovendo Hambúrguer”, “Os Fantasmas de Scrooge” e “Avatar”. A percepção dos efeitos em três dimensões é feita de maneira diferente para cada uma destas produções.
Em “A Era do Gelo 3” (The Ice Age 3, E.U.A, 2008) os efeitos em 3D mostram-se nitidamente em cenas em câmera lenta (slow motion) como durante o ataque do tigre Diego à um antílope e nas cenas de romance entre o casal de esquilos Scrat e Scrattie, especialmente àquelas que envolvem explosões de lava representando o “fogo da paixão” entre o casal (os espirros de lava parecem realmente estarem caindo bem à nossa frente). Percebe-se que estas cenas foram desenvolvidas singularmente para a aplicação do efeito, dando-lhe maior destaque por estarem em câmera lenta. Até mesmo os créditos finais da animação apresentam imagens coloridas em três dimensões.
Já na animação “Tá chovendo Hambúguer” (Cloudy With a Chance of Meatballs, E.U.A, 2009) os efeitos em três dimensões mostram-se aleatoriamente, sem grande destaque e sem nenhuma câmera lenta – o que torna o filme comum, assim como seus efeitos em 3D. A animação que deveria ser um “prato cheio” para os efeitos em três dimensões, acaba decepcionando por não dar destaque aos mesmos. A produção é ótima, mas não é uma boa opção para se assistir em 3D.
Na produção “Os Fantasmas de Scrooge” (A Christimas Carol, E.U.A, 2009) do diretor Robert Zemeckis (Forrest Gump, De Volta para o Futuro) os efeitos 3D têm destaque principal nos alucinantes voos que o personagem de Jim Carrey (o velho e rabugento Scrooge) faz durante o filme, acompanhado sempre de um dos três fantasmas que lhe visitam na véspera do Natal (em certos momentos destes voos tive que desviar meus olhos da tela devido à minha labirintite crônica). Assim como em A Era do Gelo, desta vez não são os respingos de lava que assumem a forma 3D, mas sim os flocos de neve que caem constantemente durante o filme (os flocos parecem realmente estar caindo fora da tela).
E para terminar, nada melhor que comentar a mega-produção “Avatar” (Avatar, E.U.A, 2009) do diretor James Cameron, afastado voluntariamente das telas desde o sucesso estrondoso de “Titanic” em 1999. Os efeitos em três dimensões de “Avatar” são tantos que acabam passando despercebidos por nossos olhos, devido ao fascínio do telespectador pelo novo mundo apresentado por Cameron. O 3D está presente em grande parte do filme, embora não o percebamos, pois ao contrário dos demais filmes já citados, nesta produção não há cenas de destaque apenas para os efeitos em três dimensões. Para se ter uma ideia, até mesmo a legenda de “Avatar” é exibida em 3D, mudando de posição aleatoriamente para que o telespectador não perca nenhum detalhe do filme.

Tá chovendo Hambúrguer
A Era do Gelo 3
Os Fantasmas de Scrooge
Avatar
Ainda é cedo para se dizer que o futuro do cinema reside nas produções em três dimensões – que não são poucas. Por hora, pode-se dizer que uma sessão em tecnologia 3D é sem dúvida uma experiência nova, além de uma tática inovadora para atrair o público.
Jordane Trindade
Jornalista