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MALHAÇÃO

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Vaidade ou saúde?
 

Em busca de corpos “perfeitos” muitas pessoas esquecem que o bem-estar depende primeiro da saúde

Cuidar da saúde é uma questão de sobrevivência; mais que isso, tornou-se uma questão estética. Fazer exercícios e cuidar da alimentação são medidas tomadas pela maioria das pessoas hoje conscientes do que é necessário para se ter uma qualidade de vida.

Prova disso é a quantidade delas que frequentam academias e que vemos caminhando para se exercitar pela cidade. E não para por aí: na TV, os anúncios de produtos que prometem emagrecimento imediato e corpos torneados são inúmeros, sejam eles remédios ou aparelhos de ginástica.

Os benefícios da atividade física são muitos: reduz o risco de infarto, diminui o colesterol total e eleva o bom colesterol (o HDL), ajuda a diminuir a pressão alta e a evitá-la, mantém ossos e articulações saudáveis, ajuda a manter um peso ideal e também a promover o bem-estar psicológico e diminuir o stress.

Há aqueles que começam exercícios simples, sem muitas cobranças e sem ir à academia, buscando um pouco mais de qualidade de vida. É o caso de Raphael Augusto, 23 anos, Diretor de Criação, que começou a caminhar todos os dias porque sentiu necessidade de perder peso, porém, o resultado que ele teve foi outro: “agora sinto que tenho mais fôlego, respiro melhor, mas ainda não perdi peso, porque com os exercícios acho que acabo comendo mais” afirma.

Para não ter resultados contrários, na hora de se exercitar é importante alimentar-se corretamente. Segundo a nutricionista Christiane Rocha Veloso, pós-graduanda em Nutrição Clínica, a alimentação adequada se junta aos exercícios físicos para proporcionar uma vida saudável ao indivíduo e o acompanhamento de um bom nutricionista é indispensável. A quantidade varia de acordo com a intensidade de exercícios, peso, idade e altura. Ainda segundo ela, o consumo exagerado de suplementos e proteínas prejudica o desempenho e pode causar danos ao organismo, assim como a falta de hidratação durante os exercícios também pode ser perigosa; é importante ingerir isotônicos e bebidas à base de água. “O ideal é um consumo balanceado. Antes da atividade física o cardápio deve ser rico em carboidratos, a fim de proporcionar energia para o corpo. Após a atividade, o consumo de alimentos ricos em proteínas, juntamente com os carboidratos, garantem o ganho de massa muscular e uma melhor recuperação”, afirma Christiane.

Algumas pessoas começam a se exercitar apenas por vaidade, porém com mais intensidade, e é nesse momento que muitos cuidados devem ser tomados. Além do acompanhamento de um profissional, é preciso ter consciência de que o mais importante é a saúde.

O professor de Educação Física Pedro Póvoa da Silva, do Rio de Janeiro, começou a malhar aos 16 anos. No começo era uma questão estética, Pedro se sentia muito magro e queria ganhar massa muscular. A princípio, conta que pensou em usar anabolizantes para que o resultado acontecesse mais rápido e de maneira expressiva, mas devido aos riscos voltou atrás se dedicando aos exercícios, que depois de alguns meses viraram uma rotina em sua vida. “Hoje sinto o aumento da minha autoestima devido à mudança estética que tive, mas não é só estética, saúde também, tenho mais disposição para as atividades cotidianas e sinto bem-estar em me exercitar. É parte do dia-a-dia, quando não me exercito me sinto mal”, afirma o professor.

Pedro também afirma que a importância de acompanhamento profissional quando começamos a nos exercitar é fundamental, além disso, deve-se ficar atento aos sinais de abusão como dores no corpo, insatisfação, depressão, distúrbios alimentares, por exemplo a bulimia e a anorexia,e também outro ainda pouco comentado, a vigorexia.

A vigorexia é um distúrbio que afeta mais aos homens. Viciados em academias mesmo quando o corpo já apresenta uma musculatura forte, eles ainda se veem magros e intensificam os exercícios, muitas vezes recorrendo a uso de anabolizantes. Esse distúrbio, também conhecido como overtraining ou Síndrome de Adônis, ainda não é catalogado como uma doença.

O portador da vigorexia busca ter o corpo perfeito, na sua visão. São atletas que querem o maior rendimento possível, pessoas que desejam o corpo ideal dos modelos vistos na mídia e também pessoas tímidas e introvertidas que não se sentem aceitas pela sociedade devido à sua aparência. O fisiculturismo é um esporte que mais comumente se relaciona com a vigorexia, o que não significa que todo fisiculturista seja portador do distúrbio. O vigoréxico se exercita todos os dias sem descanso e quando não pode fazê-lo sente-se muito mal. Para os profissionais, ainda é difícil reconhecer os sintomas de um vigoréxico antes que ele já esteja exageradamente “forte”.

A vigorexia tem sintomas parecidos com os do stress: insônia, falta de apetite, irritabilidade, desinteresse sexual, fraqueza, cansaço constante, entre outros. Além disso, há mudanças nos hábitos alimentares; cada caloria é contabilizada e medida para não comprometer a beleza do corpo. A busca pelo corpo perfeito se agrava quando surge o consumo de esteróides anabolizantes.

Os esteróides anabolizantes são drogas que substituem os hormônios masculinos e são utilizados por pacientes que não produzem quantidade suficiente de testosterona. Os médicos costumam receitar em tratamentos cerca de 15 miligramas por dia, contudo, no uso clandestino e incorreto que as pessoas fazem dos anabolizantes para conseguir um corpo perfeito elas chegam a consumir 100 vezes mais em um dia, além de muitas vezes compartilhar seringas – o que as expõe a outras doenças – quando não optam pelas formas de cápsulas e comprimidos.

Os anabolizantes causam crescimento irreversível das mamas no homem e redução dos seios nas mulheres; os homens passam a ter dificuldade de urinar e têm redução na produção de esperma. Podem aparecer tumores cancerígenos no fígado, alteração no colesterol, hipertensão, ataque cardíaco. Além disso, o hormônio altera o comportamento do usuário que pode se tornar mais agressivo, apresentar alterações de humor, esquecimento e confusão.

Se o usuário estiver na adolescência, os anabolizantes afetam a fase de crescimento, deixando-o com a estatura baixa pelo resto da vida. Ainda, os usuários desenvolvem a dependência e deixar de usá-los pode causar depressão profunda e levar ao suicídio, por isso o acompanhamento de um profissional é necessário para ajudar no processo de desintoxicação.

Os anabolizantes não são substâncias ilícitas pois são usados em tratamento médico e, por isso, só podem ser adquiridos com receita médica. Portanto, quem vende e aplica anabolizantes sem prescrição só responde pela venda de substâncias nocivas à saúde e falso exercício da medicina.

Por Hellen Serafini
Jornalista

 

 

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